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domingo, 18 de maio de 2014

A sutil diferença entre pregar e ministrar








        Pode parecer trivial, mas a diferença entre pregar e ministrar é muito significativa e estabelece uma importante distinção entre ministros e pregadores. Pregar o Evangelho é anunciá-lo, proclamá-lo, divulgá-lo, promulgá-lo. Ministrar a Palavra de Deus é suprir as necessidades espirituais dos ouvintes. Pregar o Evangelho se aproxima muito de evangelizar, ministrar a Palavra de Deus é edificar a igreja. Obviamente, todo ministro é um pregador, mas nem todo pregador é um ministro. Pregar o Evangelho não exige tanto preparo e unção. Porém, ministrar exige preparo, unção, chamado, consagração, maturidade, sensibilidade ao Espírito Santo, percepção, graça, favor, reconhecimento da soberania de Deus etc.
        Você não pode ministrar se não foi ungido para isso, pois ninguém pode dar aquilo que não recebeu (Jo 3.27; 19.10,11; Hb 5.1-4). Pregar, por outro lado, está ao alcance de todo aquele que rende sua vida a Cristo, independente de ser ungido ou não para tal tarefa (II Co 5.18-20). Normalmente na igreja há muitos pregadores e poucos ministros. Por não ter chamado e não ser ungido para isso, a maioria dos pregadores acaba se concentrando na eloquência ou em tornar o culto uma atração, enquanto que um ministro tem o zelo e o cuidado de falar aquilo que Deus deseja comunicar à igreja. Essa distinção tem um efeito significativo sobre a congregação. É exatamente em função dessa diferença que muitas pessoas preferem ouvir um ministro a um pregador. Em geral, a preocupação dos pregadores está na reação que a igreja demonstra diante daquilo que ele fala. Um ministro, por outro lado, não usa a reação da igreja como critério ou como termômetro da mensagem. Sua prioridade é fluir na inspiração do Espírito Santo (Mt 10.19,20; Lc 12.11,12; 21.12-15; At 6.8-10; I Pe 4.10,11; Êx 4.10-12).
Não é difícil perceber a diferença entre um ministro e um pregador. Por esse motivo, não podemos condenar as pessoas que tem preferência por um determinado ministro. Essa preferência é uma reação involuntária e não há nada de errado nisso. O equívoco é se recusar a ouvir um pregador e fazer partidarismos em função deste ou daquele (I Co 3.4-7; II Tm 4.3,4). Mas, a simples preferência por determinados ministros não tem nada de errado. Veja esses exemplos bíblicos: Mt 7.28,29; Lc 4.32,36; Jo 7.44-46. Quem você gostaria de ouvir: Jesus ou os fariseus? A Inspiração ou a religião?
A diferença entre ministros e pregadores é também um exemplo do exercício da soberania divina. Quando um sujeito é separado para o ministério por uma escolha meramente humana, Deus não tem obrigação de ungi-lo para tal tarefa. Por mais que se esforce, ele vai falar, falar e não vai edificar ninguém (salvo em raras ocasiões). Porém, quando é o próprio Deus quem escolhe, normalmente tal escolha é acompanhada por uma unção palpável. Normalmente, um ministro é usado por Deus (ou tem a obrigação de ser) com certa frequência, enquanto que para um pregador, essa frequência é mais baixa. Usado por Deus no contexto em que escrevo aqui se refere a alimentar e nutrir espiritualmente os ouvintes ou fluir naquilo em que foi designado por Deus para ser.
A ausência da unção, da graça e do chamado na vida de uma pessoa faz uma diferença enorme. Nada substitui a unção, a inspiração e a atuação do Espírito Santo (At 4.8; 9.31; 10.38; 13.2; 20.22,23,28; Rm 15.18,19; I Co 12.3-11; Hb 2.4; II Pe 1.21). Você pode ter vários parceiros à unção e ao Espírito Santo: eloquência, oratória, retórica, linguagem vernácula, recursos eletrônicos (data show, tablet, notebook) etc. Mas substitutos JAMAIS!!! É claro que estes recursos podem ser muito úteis ao ministro, mas não são fundamentos, são acessórios! Parceiros do Espírito Santo são aceitáveis, mas substitutos não!!! Um culto sem Ele ou um culto onde Sua vontade soberana é ignorada, é como estar num funeral: todos ficam parecendo zumbis. Porém, um culto onde Ele tem liberdade e Seus desígnios são atendidos, é um culto cheio de vida. Por mais belo que seja um pregador, por mais eloquente que seja sua linguagem, por mais preparo teológico e intelectual que possua, sem unção, sem o chamado e sem a graça divina, tal pregador será um mero animador de auditório. O máximo que conseguirá fazer é entreter a igreja, distraí-la. E distração deixa o espírito faminto! Ser alimentado com animações e programações meramente humanas deixa o cristão espiritualmente debilitado, sempre precisando de aconselhamento e oração. Ser alimentado com a essência da Palavra de Deus nutre seu espírito e o leva a um crescimento saudável (Jo 4.34; 6.27,53-58; I Co 3.2; Hb 5.12-14; I Pe 2.2). Não se iluda: a Palavra de Deus é o nosso maior e melhor alimento. Porém, são poucos os que estão prontos para alimentá-lo com essa Palavra. O simples fato de uma pessoa ter um título eclesiástico não significa nada. Ela pode ter conquistado tal posição através de uma dentre muitas formas humanas que são empregadas atualmente.
Em várias ocasiões saí frustrado de cultos. Nestas ocasiões, os pregadores pareciam não ter qualquer preocupação com seus ouvintes e os subestimava. Acredito que o mínimo que se pode oferecer a uma pessoa em um culto é uma ministração consistente da Palavra de Deus (I Co 4.1). É possível oferecer às pessoas uma Palavra sólida sem exigir do ouvinte um Ph.D. em teologia. Uma Palavra sólida não é uma Palavra difícil de entender, na verdade não tem nenhuma relação com dificuldade de compreensão ou vocabulário refinado. A Palavra mais sólida que existe é aquela que é inspirada pelo Espírito Santo. Contudo, a inspiração está sendo negligenciada pela mera ocupação, ou seja, ocupar e preencher um culto virou prioridade. Muitas vezes tal preenchimento é enchimento de linguiça. NADA SUBSTITUI A INSPIRAÇÃO!!!! Você pode ter parceiros e auxiliares da inspiração, mas substitutos não! Se não há inspiração, é por que a soberania do Espírito Santo está sendo ignorada. É praticamente impossível dar liberdade ao Espírito Santo e não presenciar o fluir de Sua unção (II Co 3.17; Ef 4.30; I Ts 5.19). Seja este fluir no ensino, na manifestação dos dons, numa intensa celebração de louvor e adoração a Deus, em cânticos espirituais, na pregação etc. Como será este fluir, não podemos prever e nem determinar, apenas devemos nos entregar a ele (Ez 47.1-12). Obviamente, não é sempre que veremos e presenciaremos este fluir abundante, mas sua frequência certamente não deve ser baixa no Corpo de Cristo.
 
Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

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