Vídeo em destaque

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A sutil diferença entre nascer de novo e se converter






         Há um entendimento equivocado a respeito do novo nascimento e da conversão. Esses eventos são diferentes e podem ser resumidos assim: todos os que nasceram de novo se converteram, mas nem todos que se converteram nasceram de novo. O indivíduo tem pouco ou nenhum controle sobre a ocorrência do novo nascimento, é uma experiência que vem de cima para baixo e resulta do exercício da soberania divina (Jo 3.27). Já na conversão, a decisão consciente do sujeito é parte integrante do processo. A única contribuição do sujeito para nascer de novo é se converter ao Evangelho conscientemente. Contudo, isso não significa que o convertido não esteja salvo, pelo contrário, a salvação atinge tanto o que nasceu de novo quanto o que apenas se converteu (Jo 3.18; 5.24; 6.40,47; 17.3; Rm 10.8-13). A diferença é que o nascido de novo tem maior probabilidade de desfrutar dos benefícios da salvação do que o sujeito que apenas se converteu.
         As características de um nascido de novo são inconfundíveis: fome insaciável da Bíblia, ardente desejo pelo crescimento espiritual, intensidade no ato de congregar, etc. Já aquele que apenas se converteu não apresenta nenhuma destas evidências, ou pode apresentar uma ou outra com pouca intensidade. Apesar de ser uma decisão consciente, o convertido que não nasceu de novo demonstra muito mais uma adesão intelectual a um conjunto de ritos e crenças do que uma experiência real com Cristo. Isso não é culpa dele. As reações de um nascido de novo e de um convertido são involuntárias. Um nascido de novo não consegue fingir que apenas se converteu, e um convertido é incapaz de interpretar que nasceu de novo. As motivações para se converter são muitas: problemas de ordem emocional, conjugal, financeira, enfermidades, etc. A motivação para nascer de novo é: reconhecimento de que é um pecador e que necessita desesperadamente da graça divina.
         Considere o exemplo de Nicodemos (Jo 3.1-12). Quando ele se dirigiu a Jesus, suas palavras foram de reconhecimento da divindade do Messias e da aprovação de Deus a respeito de Cristo. O curioso foi a resposta de Jesus: é necessário nascer de novo! Ou seja, não é suficiente reconhecer a divindade de Cristo, para entrar e ver o Reino de Deus é preciso nascer de novo. O Reino de Deus foi definido por Paulo como justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 4.17). Ora, contemplar esse Reino e entrar nele se refere a compreendê-lo espiritualmente e usufruir de seus recursos, vivê-lo, interagir com ele, se mover nele. Para tanto, é necessário nascer de novo. (lembre-se: há uma sutil diferença entre Reino de Deus e Reino dos céus. Tal diferença não era conhecida pelos apóstolos de Cristo, nem pelos copistas e nem pelos tradutores, por isso em nossas traduções eles são iguais. Em outro momento abordaremos esse assunto detalhadamente)
Nicodemos indagou como nascer de novo e Jesus não respondeu como. Ele enfatizou a exigência do novo nascimento (v. 5), distinguiu o nascimento natural do espiritual (v. 6) e demonstrou a soberania divina sobre quem nasce de novo (v. 8). Isto é, não há uma fórmula mágica para fazer este ou aquele usufruir do novo nascimento. É exercício da soberania divina. Nicodemos foi o clássico exemplo de uma pessoa que apenas se converteu, mas não nasceu de novo. Isso não quer dizer que não estivesse salvo, mas que Nicodemos tinha apenas uma compreensão religiosa do Reino de Deus e não a revelação plena (I Co 2.14).
Nesse momento é oportuno destacar que o novo nascimento se desdobra em nascer da água e do Espírito (Jo 3.5). O nascer da água é o nascer da Palavra de Deus (Jo 13.10; 15.3; II Co 7.1; Ef 5.25-27; Hb 10.22; I Pe 1.22,23). É o processo pelo qual tanto o convertido quanto o nascido de novo experimenta: ser limpo pela exposição e submissão de sua vida à Palavra de Deus. Esse processo é prolongado. Segundo as Palavras do próprio Jesus, Seus discípulos já estavam limpos pela ... palavra que vos tenho falado (Jo 15.3). Mesmo estando limpo, o comportamento deles era natural. É o que acontece hoje. Muitas pessoas se convertem, estão na igreja, desenvolvem atividades na obra, mas são naturais. Apesar de terem nascido da Palavra, não nasceram do Espírito. Não possuem compreensão e intervenção das coisas do Reino de Deus. Dão bom testemunho, evitam uma vida pecaminosa, se afastam das coisas mundanas, mas não desfrutam de uma vida plena em Deus. Elas pouco usufruem dos benefícios da salvação. São pessoas naturais (I Co 2.14; Hb 5.11-14). Possuem muito mais uma visão religiosa do que espiritual acerca das coisas de Deus. Por isso Paulo orava tanto pela igreja: Ef 1.17-19; Fl 1.9-11; Cl 1.9,10.
O nascer do Espíritoocorre quando o sujeito tem as dimensões do Reino de Deus abertas diante de seus olhos (I Co 2.9-16). É quando o indivíduo é mergulhado, inserido e imergido na dimensão do Espírito e dela toma ciência e com ela passa a interagir conscientemente. É um processo de revelação que só Deus pode proporcionar (Mt 11.25-27; 16.17; Lc 2.26; II Co 4.6; Gl 1.15,16; Ef 3.8-11). A dinâmica do novo nascimento está bem definida em Ez 36.25-27:
Nascer da água - Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei.  
Nascer do Espírito - Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. 
Os discípulos de Jesus só tiveram acesso ao nascer do Espírito quando o Mestre ressuscitou e soprou sobre eles o Espírito (Jo 20.22; Tt 3.5). Experiência essa que atingiu o apogeu no batismo do Espírito Santo (At 2; 19.1-7). Deve-se ressaltar que o batismo no Espírito Santo também abre para o sujeito as portas da dimensão espiritual. 
Sobre o novo nascimento, Paulo, o apóstolo da fé, escreveu em II Co 5.17: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ou seja, para desfrutar dessa experiência singular, só através de Jesus. Ninguém na antiga aliança teve o privilégio de usufruir do novo nascimento (Gl 6.15).
Qual a contribuição da igreja para que mais pessoas desfrutem do novo nascimento? Essa pergunta é difícil responder, mas temos algumas pistas. Paulo escreveu aos irmãos na Galácia: ... meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós... (Gl 4.19). Dores de parto denunciam nascimento e Paulo já tinha sofrido tais dores pelos gálatas, mas estava sofrendo de novo. É provável que o número de nascidos de novo aumente na mesma proporção que a igreja interceda pelos perdidos e sofra tais dores de parto na intercessão. É provável também que o ambiente e atmosfera que uma pessoa se expõe tenham grande influência sobre a possibilidade dela nascer de novo. Ambientes religiosos e meramente humanos, dificilmente promovem o mover e ação do Espírito de Deus. Logo, é pequena a probabilidade de alguém nascer de novo num ambiente religioso, tradicional, mecânico etc. O lugar onde o Espírito Santo é desejado e onde há liberdade para Ele fluir, é o ambiente propício ao novo nascimento, sobretudo quando Sua soberania é reconhecida.

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário