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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fé, religião ou superstição?







Uma das melhores maneiras de dizer o que a fé é, é dizer o que ela não é. Frequentemente se confunde a natureza da fé com práticas religiosas inúteis ou com superstições banais. A substância da fé nada tem a ver com religião ou com superstição. O exemplo bíblico do Novo Testamento que melhor descreve a fé em seu nível supremo destaca um soldado romano como protagonista (Lc 7.1-10), o qual nada tinha de religioso ou supersticioso. É uma enorme ilusão pensar que são atitudes de fé esfolar os joelhos numa escadaria ou pedir a benção do pastor para fazer uma viagem! Tanto no meio católico quanto no evangélico é possível identificar um número de práticas supersticiosas e religiosas, ambas inúteis ao desenvolvimento sadio da fé. Antes de citá-las, vamos esclarecer o que a fé não é.

FÉ NÃO É emoção, empolgação, euforia, superstição, religião, cerimonialismo, rituais, tradições, autocomiseração, sensacionalismo, autoflagelação ou coisas semelhantes a estas! A melhor definição de fé que encontrei fora das Escrituras mas em harmonia com Ela, foi nas palavras do irmão Smith Wigglesworth. Ele disse: “O que é crê? Crê é confiar no que o Senhor disse a ponto de aceitar Sua Palavra somente por que Ele a disse”. A definição bíblica da fé em Hb 11.1 faz mais sentido prá mim em 3 traduções em particular:

Católica: A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem.
NTLH: A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.
VIVA: QUE É A FÉ? É a convicção segura de que alguma coisa que nós queremos vai acontecer. É a certeza de que o que nós esperamos está nos aguardando, ainda que o não possamos ver adiante de nós.

Toda essa certeza envolvida na definição de fé tem somente um fundamento: a Palavra de Deus! Mesmo sem nenhuma demonstração palpável, tangível e visível, a fé se expressa e se sustenta naquilo que Deus diz  e não no que Ele faz! É claro que é possível basear a fé no que Deus faz (Jo 4.48), porém o ensino bíblico nos encoraja a apoiar nossa fé no que Ele diz. A máxima de Tomé coincide perfeitamente com essa verdade: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo 20.29). “Não ver” significa não tocar, não provar, não sentir, não observar, não contemplar! Neste cenário em que os sentidos naturais são inúteis, o exercício da fé se enquadra com perfeição. De acordo com o apóstolo da fé (Paulo), a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.17). Ora, a pregação está relacionada com falar e ouvir, dar e receber. A vontade de Deus é que Sua Palavra seja suficiente para nós a tal ponto que não exigiremos nenhum tipo de demonstração do Seu poder para passarmos a confiar n’Ele. Sua Palavra é suficiente! É o fundamento, o alicerce, a estrutura, a base, o chão, o apoio sobre o qual nossa fé está arraigada. Contudo, para que a Palavra de Deus se torne em nossa vida tudo o que Deus planejou que Ela fosse, é necessário desenvolver íntima comunhão pessoal com o Criador. É precisamente nesse aspecto que as pessoas preferem a religião e a superstição!

É muito mais fácil ser uma pessoa religiosa e supersticiosa do que ser uma pessoa de fé. Coincidentemente, isso é conveniente para os sistemas religiosos humanos. Uma vez que a maior parte da liderança evangélica brasileira está interessada apenas em manter as pessoas dependentes, o verdadeiro ensino bíblico da fé acaba sendo abandonado por crendices, tradições e supertições. Além de ser mais fácil manter o controle, essa estratégia também ajuda a manter a casa cheia (por fora, mas vazia por dentro). Uma fé amplamente desenvolvida e amadurecida permite ao cristão ir direto à fonte (Cristo – Gl 3.28,29; Cl 3.11) sem a necessidade de mediadores. Este é o verdadeiro papel daqueles que possuem um chamado ministerial no Corpo de Cristo, segundo as palavras do apóstolo Paulo (Ef 4.11-14). No entanto, promover o desenvolvimento espiritual da igreja pode não ser conveniente para aqueles que só buscam o controle excessivo e desequilibrado, o que compromete o aperfeiçoamento da fé. Por esta razão, muitas atividades religiosas e supersticiosas se perpetuam na igreja com o fim de manter as pessoas entretidas, dependentes e escravas. O verdadeiro crescimento exige muito mais!

A maturidade necessária à fé exige disciplina e perseverança. Segundo o apóstolo Pedro, o aprimoramento da fé requer profunda associação com amor, diligência, virtude, conhecimento, domínio próprio, piedade, perseverança, fraternidade, etc. Tudo isso é necessário para a consolidação da fé (II Pe 2.5-11). É praticando estas coisas que se pode oferecer um ambiente favorável à fé, como um adubo para uma planta. Mas o que se observa em muitos lugares é uma tentativa de ocultar estas verdades. Quando o objetivo das pessoas é apenas manter um lugar cheio de gente, basta apenas oferecer um ambiente de entretenimentos e distrações. Acrescente a isso pequenas doses de superstições e rituais religiosos, e o resultado será a manutenção ou inchaço. Porém, a verdadeira fé NÃO PODE SER EQUIPARADA COM ESSAS TÁTICAS. A fé nos transforma em bois selvagens, não em escravos (Sl 92.10).

Como posso amadurecer minha fé? OUVINDO! Todavia, não é ouvindo qualquer coisa! Nos dias atuais parece raro ouvir uma ministração isenta e descomprometida de sistemas religiosos (I Sm 3.1). Praticamente tudo o que é pregado e ensinado atualmente é visando tirar possíveis vantagens do povo que irá praticar o que escuta. Os ministros da atualidade não pregam mais torcendo pela igreja, mas visando tirar proveito dela. Portanto, seja seletivo na hora de ouvir boas mensagens. Procure não adotar ninguém como “papa”, Deus não é centralizador. Há bons ministros espalhados por várias igrejas no Brasil. Procure devorar as Escrituras humilhando-se diante de Deus para receber revelações de Sua Palavra que alimentarão sua fé e nutrirão seu espírito (Sl 119.18).

Lembre-se: a fé genuína não é pelos olhos, é pelos ouvidos. Não baseie sua fé em superstições e religiosidades, isso deixará seu espírito faminto! A vontade de Deus é que Sua Palavra seja suficiente para o nosso descanso. Para ter uma estrutura sólida na fé, é preciso ir direto à fonte. É claro que isso envolve oração, meditação, comunhão (com Deus e com os irmãos), leitura, frequência nos cultos, etc. Porém, sem transformar tudo isso em “amuletos da fé”. Portanto, direcione sua dedicação para a fonte certa, a Palavra de Deus e procure conhecê-La. Transforme-a em seu alimento diário e não num bolo para ocasiões festivas. Fazendo assim, provavelmente você irá crescer e não será supersticioso e nem religioso! Provavelmente!

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A música profética




O texto abaixo é do pastor Bené Gomes. Seu conteúdo é simplesmente admirável, útil e prático. Com maestria, o pastor Bené desmistifica o real sentido do louvor profético e apresenta uma definição extremamente clara, coerente e produtiva para os dias atuais. Depois de mais de 15 anos de Evangelho, esta é a primeira vez que vejo um conceito satisfatoriamente preciso sobre o significado do conteúdo profético que o louvor carrega. Sempre que ouvia ou lia algo sobre o assunto, tinha uma clara impressão de misticismos e superficialidades em volta do tema. No meu ponto de vista, o pastor Bené encerra a questão de forma definitiva. Segue abaixo seu excelente texto.


A música profética


A música profética é aquela que traz a manifestação da presença de Deus para o cumprimento de um propósito que Deus estabeleceu para aquele momento! Pode ser cantada ou somente instrumentada. E ela será ou não profética baseada na sensibilidade espiritual de quem a executa. Essa música visa gerar um ambiente de liberdade para o Espírito Santo agir.

Três elementos definem a unção que se manifestará nessa música profética. O Caráter do músico, o foco espiritual e a excelência musical.


O CARÁTER

O  caráter fala do fruto do Espírito praticado diariamente. O caráter de Jesus, que é o que queremos evidenciar na nossa prática de vida, é o fruto do Espírito. Todo aquele que nasceu de novo pelo arrependimento se tornou uma nova criatura em Cristo, um filho de Deus e um cidadão do reino de Deus. Este reino tem a sua própria cultura, seus princípios, valores e conceitos. A maneira de pensar e agir de um cidadão do reino de Deus, não tem mais nada a ver com a maneira de pensar e agir de um cidadão do reino deste mundo. Jesus disse claramente em Jo.18:36 “…O meu reino não é deste mundo…”, fazendo uma distinção clara entre os dois reinos. Paulo garante que todos nós pertencíamos ao império das trevas, que é o reino deste mundo. Éramos cidadãos desse reino, mas pela graça de Jesus, fomos libertados desse reino, o reino desse mundo, e transportados para o reino do filho do seu amor, que é o reino de Deus. Essa experiência acontece pela fé na graça que nos foi disponibilizada em Cristo Jesus. 

Como cidadãos do reino, temos compromissos com novos valores, como por exemplo, a integridade. Em Ef.4:28a “Aquele que furtava não furte mais…”. É assim que devem ser os cidadãos desse novo reino, íntegros, honestos. E é assim com muitos outros valores como a fidelidade conjugal, o perdão, a generosidade, a transparência, a não mentira, a não indiferença, a linguagem sadia não obscena, a liderança servidora, a humildade e tantos outros valores que só podem ser praticados por quem tem o Espírito Santo no controle de sua vida. Esse é o cidadão do reino. E esse é o caráter de Cristo!


O FOCO ESPIRITUAL

O foco espiritual fala do compromisso que o músico precisa ter com a busca da presença de Deus no seu dia a dia. Eu falo sobre ser fervoroso no seu espírito e estar sempre cuidando para que essa chama não se apague. Muitos se distraem e esquecem de continuar exercendo o sacerdócio, que representa a busca intensa da presença de Deus diariamente. O sacerdote no antigo testamento tinha que trazer lenha ao altar todas as manhãs e todos os dias. Essa era a única maneira da chama não se apagar, do fogo não se extinguir. Lv.6:12,13. É disso que eu estou falando ao me referir a esse foco espiritual. A própria música pode ser um instrumento de entretenimento ao se tornar um fim em si mesma. No reino de Deus a música não é um fim, mas um meio, um canal, um veículo para se cumprir propósitos do coração de Deus. Deus usa a música, Deus usa os músicos, para cumprir seus planos e propósitos, para firmar as pessoas na comunhão com ele.

Devido à sua enorme exposição, o músico precisa ser necessariamente, um homem de oração como o é o pregador da Palavra, que traz a palavra nas reuniões da igreja. Quanto maior for a exposição, mais foco se requer e mais dependência de Deus. Todo músico é um sacerdote e ao mesmo tempo um profeta. Lembre-se que estamos falando da música profética, aquela que traz a manifestação da presença e da glória de Deus. Como músicos precisamos manejar bem a Palavra de Deus. Conhecer a Deus é necessariamente conhecer a Sua Palavra. O músico que conhece a Palavra sabe, por exemplo, que ao tocar, ele não está simplesmente exercendo um dom musical, mas preparando ambiente para Deus agir.  Eliseu buscou um músico que ao tocar, gerasse um ambiente espiritual capaz de sintonizar o profeta com a Palavra de Deus para aquele contexto em que estava vivendo (2Rs.3:15). Josafá ordenou que os músicos e cantores estivessem a frente dos armados na guerra contra os Amonitas e Moabitas em 2Cr.20:21. Davi separou músicos para o ministério afim de que profetizassem com os seus instrumentos (1Cr.25:1). Tudo isso está na Palavra. O músico precisa conhecer a Palavra para manter o seu foco espiritual em Deus. Quanto mais o músico conhecer a Palavra, mas ele poderá ser usado profeticamente.


PRINCÍPIO  DA  EXCELÊNCIA

O músico pra ser profético precisa entender e praticar o princípio da excelência. Temos inúmeros exemplos na Bíblia de homens que foram usados por Deus por serem muito bons naquilo que faziam. Quero dar pelo menos 3 exemplos:

(1) 1Cr.15:22 nos fala de um homem chamado Quenanias, que era entendido, perito em dirigir o canto na casa de Deus e que por isso foi levantado por Davi para esse fim.

(2) Pv.22:29 nos fala de uma pessoa qualquer que se torna perito na obra que faz, e que por causa dessa excelência com que faz as coisas, será colocado diante dos reis da terra. Ou seja, estarão nos palácios e lugares altos da terra. E o grande nome a ser citado aqui é o de José filho de Jacó, que com o seu dom de interpretar sonhos, acabou evidenciando o seu dom maior de administração com excelência. José tinha muita perícia na arte de administrar bem! E por causa disso Faraó o estabeleceu como o governador de toda a terra do Egito (Gn.41:39-41).

(3) Dn.6:3 nos fala de um outro grande exemplo de excelência, o profeta Daniel. Como havia nele um espírito excelente, ele sempre se distinguia dos demais, ao ponto do rei Dario pensar em estabelecê-lo sobre todo o reino.

Davi nos encoraja a tocar bem, a tocar com arte (Sl.33:3). É isso que precisamos incentivar os músicos a fazerem. Quanto mais bem preparados musicalmente, mais ferramentas estamos colocando nas mãos de Deus pra ele usar. O apóstolo Pedro por ser inculto e iletrado, não deixou de ser usado por Deus, mas com certeza se tivesse um nível de conhecimento maior, poderia ser mais usado ainda. O apóstolo Paulo é um exemplo a ser seguido, de um homem que conhecia e falava vários idiomas,  que tinha uma cultura vastíssima,  e não sem razão acabou se tornando o escritor da metade do novo testamento. É claro que não é a cultura, a sabedoria humana e os dons, a razão pela qual Deus usa alguém. Deus usa alguém que anda com Ele, que tem o fruto do Espírito em sua vida, e que o busca de todo o coração. Mas, se além disso, a pessoa ainda tem um espírito de excelência, com certeza o impacto será bem maior, podem ter certeza disso.

Músicos, paguem o preço estudando e se esmerando em ser cada vez mais hábeis e talentosos. O treinamento é imprescindível para a excelência. E quando falo de treinamento, falo de exercícios repetidos quase que à exaustão. Não é fácil se tornar perito no que se faz, mas não há outra maneira para se alcançar a excelência. O que nos encoraja é que agindo assim e perseverando nessa prática, logo colheremos os frutos. Todo mundo busca quem é realmente bom no que faz!


Fonte:


Um abraço a todos.


Marconi BS Costa

sábado, 24 de novembro de 2012

A Verdadeira Dívida Externa





Por: Guaicaipuro Cautémoc

Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a américa há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.

O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.

Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... 

Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.

Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão.

Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!

Vamos considerar que esse ouro e essa prata foi o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
 
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.

Lamentamos dizer que não.

Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.

Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.

Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.

Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.

É para seu próprio bem.

Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.

Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.

Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. 

Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!

Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.

Mas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.



Fala do cacique Guaicaipuro Cautémoc numa reunião com chefes de estado da Comunidade Européia.




Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

domingo, 18 de novembro de 2012

Consumidores da barbárie




Numa sociedade que lamentavelmente cultua a violência, é preciso considerar uma das práticas mais contraditórias: o consumo da barbárie e da tragédia. Os programas de maior audiência não são os que cobram a justiça, mas os que exibem e exploram o ibope usando a tragédia. Hoje a violência é um produto bastante lucrativo na mídia.
 
Diante deste cenário horroroso, o texto abaixo de Thiago Cunha serve para meditar um pouco a respeito não da violência, mas da forma como reagimos quando estamos expostos a ela na mídia. 

Obs.: o destaque em negrito não faz parte do texto original.

Thiago Cunha

Impressiona-me a forma como perseguimos a notícia. O furo de reportagem nos incentiva a superar os limites da máquina e do homem. Chegamos ao local do crime. Os rostos dos miseráveis parecem felizes com a nossa presença naquele lugar desconhecido. Sonham sair do ostracismo pelo caminho mais trágico: a notícia da morte violenta.

Uma cena chocante: as pessoas sorriam enquanto rodeavam o morto. Achavam o máximo a possibilidade de ver alguém daquele fim-de-mundo nas páginas policiais do dia seguinte. Gritos de protesto? Nenhum. Busca por justiça? Inútil. Presente à cena do crime, a polícia cuidava de colher dados sobre o morto: idade, profissão, ligações com entorpecentes. Só. Entraria nas estatísticas. Dos pobres, é claro. Jamais um inquérito bem formulado como possuem as atrocidades cometidas contra pessoas da classe média e da classe alta. No mais, ninguém viu nada. Nem ouviu. Ninguém desconfiava de nada e de ninguém. Não havia motivos para que aquilo tivesse acontecido.

E eis que a mãe da vítima, sentada no meio-fio, junto ao corpo do filho, vira-se para o repórter, verdadeiro abutre da tragédia, e oferece-lhe uma foto do filho morto, para que apareça no jornal do dia seguinte, no espaço destinado aos consumidores da barbárie.

Quem será pior? Os abutres que perseguem a morte para registrá-la ou os que ratificam a loucura, devorando no jornal cada detalhe de um assassinato?

Ou seremos todos, nós e eles, a serpente que devora a própria cauda?




Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Os Votos



Não é todo dia que a gente se depara com um texto dessa magnitude. Essa obra de arte foi escrita por Sergio Jockymann, segundo o site: http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Politicos/B_SergioJockyman.htm.

Não sei exatamente quem é o autor, mas sei que ele nos presenteou com uma inspiração admirável. São obras raras como esta que me faz ter um pouco de admiração pela raça humana. Palavras como estas deveriam ser exibidas em praça pública!

Parabéns ao gênio que redigiu esse texto e àqueles que o publicaram na net!


Os Votos


Desejo primeiro que você ame,
 E que amando, também seja amado.
 E que se não for, seja breve em esquecer.
 E que esquecendo, não guarde mágoa.
 Desejo, pois, que não seja assim,
 Mas se for, saiba ser sem desesperar.


Desejo também que tenha amigos,
 Que mesmo maus e inconseqüentes,
 Sejam corajosos e fiéis,
 E que pelo menos num deles
 Você possa confiar sem duvidar.
 E porque a vida é assim,
 Desejo ainda que você tenha inimigos.
 Nem muitos, nem poucos,
 Mas na medida exata para que, algumas vezes,
 Você se interpele a respeito
 De suas próprias certezas.
 E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
 Para que você não se sinta demasiado seguro.


Desejo depois que você seja útil,
 Mas não insubstituível.
 E que nos maus momentos,
 Quando não restar mais nada,
 Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.


Desejo ainda que você seja tolerante,
 Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
 Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
 E que fazendo bom uso dessa tolerância,
 Você sirva de exemplo aos outros.


Desejo que você, sendo jovem,
 Não amadureça depressa demais,
 E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
 E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
 Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
 É preciso deixar que eles escorram por entre nós.


Desejo por sinal que você seja triste,
 Não o ano todo, mas apenas um dia.
 Mas que nesse dia descubra
 Que o riso diário é bom,
 O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.


Desejo que você descubra ,
 Com o máximo de urgência,
 Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
 Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.


Desejo ainda que você afague um gato,
 Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
 Erguer triunfante o seu canto matinal
 Porque, assim, você se sentirá bem por nada.


Desejo também que você plante uma semente,
 Por mais minúscula que seja,
 E acompanhe o seu crescimento,
 Para que você saiba de quantas
 Muitas vidas é feita uma árvore.


Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
 Porque é preciso ser prático.
 E que pelo menos uma vez por ano
 Coloque um pouco dele
 Na sua frente e diga "Isso é meu",
 Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.


Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
 Por ele e por você,
 Mas que se morrer, você possa chorar
 Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.


Desejo por fim que você sendo homem,
 Tenha uma boa mulher,
 E que sendo mulher,
 Tenha um bom homem
 E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
 E quando estiverem exaustos e sorridentes,
 Ainda haja amor para recomeçar.
 E se tudo isso acontecer,
 Não tenho mais nada a te desejar.



Fonte: http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Politicos/B_SergioJockyman.htm.


Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O melhor para o fim




O texto abaixo é da autora Durvalina Barreto Bezerra. Em relação ao conteúdo que aborda, o considero perfeito. É EXTREMAMENTE raro atribuir perfeição a um texto, mas esse em particular merece o título. Trata-se de uma verdadeira obra de arte que deveria ser esculpida em mármore e exibida em praça pública. Porém, assim como no meu, quem ler o texto o terá esculpido nas tábuas do coração.

“Por que somos tão precipitados?
Ouvimos alguma coisa e logo aceitamos,
Sentimos e logo queremos agir!
Agimos e imediatamente queremos ver o resultado!

Oh, quão apressados somos,
Não ponderamos, não perguntamos,
Não medimos os prós e os contras,
Não avaliamos e logo queremos tomar posição definida.

Por que não esperar mais um pouco?
É bom aguardar o tempo de Deus.
Esperar que a mão do Soberano comece a agir,
E nos favorecer com a Sua provisão.

É bom esperar pela hora de Deus,
Mesmo que a julguemos demorada.
Muitas vezes nos impacientando
Mas nunca duvidando que Ele fará o melhor.

É melhor esperar por Ele,
Porque Ele nunca falha.
E quando Ele age, faz o melhor.
O Seu melhor não tem comparações.

O melhor para o fim,
Porque todos reconhecerão que o melhor de Deus
É superior ao meu melhor.
Seu melhor pode provar que o meu era bom
Mas nunca podia ser o melhor
Porque o melhor só Deus pode dar.

Se me precipitar posso ter o bom;
Se souber esperar, terei o melhor
Que ultrapassa o bom,
Testifica-se como verdadeiro e
Perdura como eterno.

Na esperança do melhor, compreenderei seu valor,
Conhecerei suas virtudes
E me prepararei para receber aquilo
Que por ser o melhor, precisa de tempo
Para revelar-se e sabedoria para entender-se.

Muitos preferem ficar com o bom,
Não possuindo a virtude da espera;
E quando o bom começar a ser comparado com o melhor
É que se entende que é mais sábia a espera pelo melhor
Do que a pressa pelo bom
Porque o melhor não se troca pelo bom.

Em Caná da Galiléia, Jesus deixou o melhor para o fim.
E não teve nenhum bom
Que pudesse ser comparado com o melhor,
Que só Ele pode fazer.

Deixemos o Senhor fazer o melhor,
Pois o máximo que fizermos
Nunca poderá comparar-se com o melhor,
Que só Ele pode fazer.
Mesmo que seja no fim,
Compensa esperar o MELHOR.”


Sobre o(a) autor(a): Durvalina Barreto Bezerra é teóloga pelo Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro. Missióloga pelo Centro de Treinamento da WEC-AMEM, na Austrália. Pedagoga formada pela Universidade Federal da Bahia. Mestre em Educação pela Universidade Mackenzie. Vice-presidente da AME - Associação Missão Esperança, integrante da diretoria da Missão Antioquia. Diretora do Seminário Betel Brasileiro em São Paulo e Coordenadora Geral do Ensino do Instituto Bíblico Betel Brasileiro. Professora nos Centros de Preparo Missionário da Missão Juvep - Juventude Evangélica Paraibana, Missão Priscila e Áquila e Jami - Junta Administrativa de Missões. Conferencista internacional.

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa