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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Eu sei, mas não devia



O texto abaixo é da escritora Marina Colasanti. Trata-se de uma verdadeira obra de arte. Dada a beleza e o seu conteúdo, sua inserção neste blog agrega valor inestimável. Por ser um admirador nato de Antônio Abujamra e do programa Provocações, o vídeo segue junto ao texto. DELICIEM-SE!!!



"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
 A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."


Sobre a autora: Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.



Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A lenda da felicidade




Conta uma lenda que no princípio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, descobriu que havia esgotado todos os materiais sólidos no homem.


Diante dessa dificuldade e depois de profunda meditação fez o seguinte: tomou a redondeza da Lua, as curvas suaves das ondas, a terna aderência de uma planta trepadeira, o trêmulo movimento das folhas, a esbelteza da palmeira, a cor delicada das flores, o olhar amoroso da corça, a alegria do raio de sol e as gotas de pranto das nuvens, a inconstância do vento e a fidelidade do cão, a modéstia do lírio e a vaidade do pavão, a suavidade da pluma do cisne e a dureza do diamante, a doçura da pomba e a crueldade do tigre, o ardor do fogo e a frieza da neve.


Com essa mistura de ingredientes tão desiguais criou a mulher e deu-a ao homem.


Depois de uma semana, o homem veio e lhe disse:


- “Senhor, a criatura que me destes me faz infeliz: quer toda a minha atenção, nunca me deixa sozinho, fala sem parar, chora sem motivo, diverte-se fazendo-me sofrer e estou vindo devolvê-la porque não posso viver com ela!”


- “Está bem”, respondeu Deus, e tomou a mulher de volta.


Passou outra semana, o homem voltou e Lhe disse:


- “Senhor, estou muito solitário desde que devolvi a criatura que fizestes para mim. Ela cantava e brincava ao meu lado, olhava-me com ternura e seu olhar era uma carícia, ria e seu riso era música, era formosa e suave ao tato. Devolve-me, porque não posso viver sem ela!”


- “Está bem”, disse o Criador. E a devolveu.


Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:


- “Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe tomai-a de novo! Não consigo viver com ela!”


- O Criador respondeu: - “Mas também não pode viver sem ela.”
 

E virou as costas para o homem e continuou o seu trabalho.


O homem desesperado disse:


- “Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.”
 

“Achei que com as tentativas você já tivesse descoberto”, respondeu Deus. “Amor é um sentimento a ser aprendido: é tensão e satisfação. É desejo e hostilidade. É alegria e dor. Um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A sua própria beleza e o seu próprio fardo. Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor, é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá sempre que abdicar alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa. Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade. É como plantar uma árvore frente a uma janela.Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o silêncio pelo gorjeio da passarada ao amanhecer. É preciso considerar tudo isso quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do amor.”



Fonte: http://www.juraemprosaeverso.com.br/TextosDeConteudoMoral/UmalendaohomemamETC.htm

Autor (infelizmente) desconhecido!



Um abraço a todos!

Marconi BS Costa

Sobreviventes (anônimo)



Esse texto, anônimo, foi encontrado ao fim da segunda Guerra Mundial num campo de concentração nazista:

“Sou sobrevivente de um campo de concentração.
Meus olhos viram o que ninguém deveria ter visto.
Câmaras de gás construídas por engenheiros formados.
Crianças envenenadas por médicos diplomados.
Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas.
Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades.
Assim... são muitas as minhas suspeitas sobre a educação!”


Sobre o(a) autor(a): os poemas e os textos lidos em "Provocações” são, às vezes, livre adaptação do original, por Antônio Abujamra ou Gregório Bacic. O formato em que se apresentam escritos aqui é apropriado para a leitura em TV e não o seu formato original.

Fonte: http://www.tvcultura.com.br/provocacoes

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu Escolhi Esperar (EEE)




Eu Escolhi Esperar é uma mobilização. Existem diversas mobilizações que promovem causas nobres. Por exemplo, campanhas contra o câncer, contra as drogas, racismo e outros temas.
Eu Escolhi Esperar visa fortalecer, encorajar, apoiar e dar suporte àqueles que abraçaram a vontade de Deus para suas vidas e decidiram esperar no Senhor o tempo certo, a pessoa certa e a forma certa para os relacionamentos.
Eu Escolhi Esperar visa promover a cultura do Reino de Deus para os relacionamentos, principalmente entre os solteiros. Desconstruindo sofismas e restabelecendo os valores bíblicos para os filhos de Deus.
Eu Escolhi Esperar é muito mais que um movimento pró-castidade, pois ampliamos o assunto além da virgindade. Tratamos a importância de se viver uma vida sexual e emocional de forma pura e santa. Sendo assim, a virgindade deixa der ser o foco e torna-se a consequência na vida daqueles que buscam santidade.
Eu Escolhi Esperar é uma mobilização pró-matrimônio. Por quê? Estar solteiro é bem diferente de ser solteiro. É um estado, um momento e não o destino. O tempo da espera é uma benção e não um castigo ou um “carma”. E esse tempo na verdade, é um momento precioso para o solteiro se preparar para seu futuro cônjuge.


Parabéns ao pastor Nelson e toda sua equipe!
  

Algumas frases para meditação:


“Hoje você faz suas escolhas, amanhã suas escolhas fazem você”.

“Deus inventou o sexo seguro e o chamou de casamento”.


“O amor é uma condição na qual a felicidade da outra pessoa é essencial à sua própria”.

“Uma coisa é você se casar virgem, outra coisa é você se casar puro."

“O homem mais importante na vida de toda mulher não é o primeiro, mas é aquele que não permite que o próximo venha a existir”.


Obs.: as frases acima não são de minha autoria!!!

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Você sabe com quem está falando?



Você sabe com quem está falando? Se não sabe, acho melhor assistir o vídeo abaixo. Provavelmente seu conceito irá mudar radicalmente. O Dr. Mario Sergio Cortella é um gênio. Para mais informações sobre ele, clique aqui.



 

Marconi BS Costa

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Morte Devagar





Apesar de não concordar integralmente com todo o conteúdo desse texto, não posso deixar de reconhecer as verdades contidas nele. Como nos ensinou o apóstolo Paulo, “Examinai tudo. Retende o bem.” (I Ts 5:21)



A Morte Devagar

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
 Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.



Sobre o autor: Martha Medeiros nasceu no dia 20 de agosto de 1961. Colunista do jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, e “O Globo” do Rio de Janeiro. Desistiu da carreira de Publicitária para ingressar no mundo da literatura, como escritora, jornalista e poeta.



Um abraço a todos.

Marconi BS Costa 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Humano Demais





Por ser um admirador nato de canções inspiradas por Deus, eu jamais poderia deixar de mencionar aqui no blog esta que é uma das músicas mais belas que já conheci na minha vida. Acredito que seja muito difícil alguém supor que tal canção não seja divinamente inspirada. O fato de ser cantada na voz de um padre em nada diminui sua qualidade e valor.

Para os chatos de galocha de plantão, antecipo que sou admirador dessa música há anos e só agora com o blog Pensando a Verdade tive a liberdade para expor o que penso sobre ela. Para os verdadeiros adoradores do Senhor Jesus Cristo que não estão presos a sistemas religiosos humanos, promover a glória de Deus vem antes de apresentar satisfação aos homens. Portanto caros leitores, ouçam e se rendam na presença de Deus sem reservas! Recomendo a todos que ignorem as imagens e se concentrem na letra e na música em si, afinal de contas o papel do adorador é sair de cena e manter o Senhor Jesus no centro das atenções.



Humano Demais
Eu fico tentando compreender
o que nos teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que já condenada acreditou
Que ainda havia o que fazer
que ainda restara algum valor
E ao se prender em teu olhar
por certo haveria de vencer

E assim fizeste a vida retornar aos olhos dela
E quem antes condenava se percebe pecador
Teu amor desconcertante
força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender

Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar quem não merece
Sou humano demais pra compreender
humano demais pra entender
Que aqueles que escolheste e tomaste pela mão
Geralmente eu não os quero do meu lado

Eu fico surpreso ao ver-te assim
trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio a dor
Um gesto revela quem tu és
Te tornas amigo do ladrão
só pra lhe roubar o coração

E assim foste o contrário, o avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se te conheço
Tu enxergas o profundo, Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração, Eu vejo a imagem


Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

Se os tubarões fossem homens





Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos? 

"Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adotariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões. 





Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar."





Bertold Brecht
Sobre o autor: poeta, autor e diretor de teatro alemão, contribuiu significativamente para a dramaturgia e produção teatral, principalmente no pós-guerra, com a sua companhia "Berliner Ensemble".


Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

O preço da indiferença



"Quando os nazistas vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar."



Martin Niemöller (14 de janeiro de 1892 - 6 de março de 1984) foi um pastor luterano alemão. Em 1966 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.



Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

Provocações



A primeira provocação ele aguentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.

A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.

Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.

Foram lhe provocando por toda a vida.

Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.

Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.

Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.

Estavam lhe provocando.

Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.

Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a ideia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.

Terra era o que não faltava.

Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.

Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.

Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.

Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:

- Violência, não!


Sobre o(a) autor(a): Luis Fernando Veríssimo

Nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá.



Um abraço a todos.

Marconi BS Costa

Um tributo à liberdade




Segundo o poeta:

“Liberdade! Entre tantos que te trazem na boca sem te sentirem no coração, eu posso dar testemunho da tua identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho; porque no fundo de minha consciência eu te vejo incessantemente como estrela no fundo escuro do espaço. Nunca te desconheci, nem te trairei nunca, porque a natureza impregnou dos teus elementos a substancia do meu ser.” 

(Rui Barbosa, Conferência na Bahia, em 1897, na Estante Clássica, vol. I pp. 71,72. Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/discursos/661820)

Somente em Cristo:
Jo 8.32: “...e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”

Jo 8.36: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”


Não podemos confundi-la com libertinagem:
“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gl 5.13)

“Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.” (I Co 8.9)

“... como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus.” (I Pe 2.16)


Não deve ser usurpado o direito do irmão ser livre:
“Não sou eu, porventura, livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Acaso, não sois fruto do meu trabalho no Senhor?” (I Co 9.1)

“... Pois por que há de ser julgada a minha liberdade pela consciência alheia?” (I Co 10.29)

“E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão; aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós.” (Gl 2.4,5)

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5.1)


Faz parte da natureza de Deus:
“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” (II Co 3.17)


É considerada parte integrante da perfeição da lei:
“Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.” (Tg 1.25)


Abrir mão dela só se for para fazer a vontade de Deus:
“Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.” (I Co 9.19)


Temos um alto grau de parentesco com ela:
“E, assim, irmãos, somos filhos não da escrava, e sim da livre.” (Gl 4.31)


É fundamental no serviço cristão:
“Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários...” (II Co 8.3)

“... nada, porém, quis fazer sem o teu consentimento, para que a tua bondade não venha a ser como que por obrigação, mas de livre vontade.” (Fm v. 14)

“... pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade...” (I Pe 5.2)





É preciso considerar que o Senhor Jesus não nos tirou de uma prisão para colocar-nos em outra. Fomos livres do pecado, da morte, da doença, da miséria e de Satanás e também das garras da religião! Contabilizando todos os textos do Novo Testamento que falam sobre a liberdade que temos em Cristo, torna-se injustificável as práticas exageradamente autoritárias de muitos líderes cristãos da modernidade. Muitos agem assim não apenas com receio de perder o cargo que conquistaram, mas também por que reproduzem cegamente um modelo que lhes foi ensinado.

Da mesma forma que liberdade não é libertinagem, compromisso não é escravidão. Tratar a igreja com disciplina equilibrada é diferente de tratá-la com opressão. Lamentavelmente diversos líderes de hoje submetem a igreja a uma atmosfera desnecessária de jugo e fardo pesado. Esse comportamento se perpetua devido a um fato muito simples: os homens se julgam inquestionáveis e qualquer forma de raciocínio diferente é instantaneamente classificada como rebelião. Como as pessoas não reagem e continuam facilmente manipuláveis, muitos líderes acabam migrando de uma liderança saudável para uma tirania exagerada. Muitos deles não têm culpa por que agem motivados ou pelo medo de serem vítimas de rebelião ou por não possuírem referenciais nobres nos quais podem se espelhar. Assim eles acabam rotulando indiscriminadamente muitas pessoas que ficam sem chance de defesa. Se de um lado os realmente rebeldes sofrem punições severas da parte de Deus (Nm 12.1-16; 16.1-50; II Sm 15-18), os tiranos também terão sua hora (Ez 34).

Para evitar ambos os desastres devemos seguir as recomendações bíblicas sem exageros. A palavra central que define o sucesso de qualquer pessoa é EQUILÍBRIO (Ec 7.16-18)!!!

Um abraço a todos.

Marconi BS Costa